DEUSES, TÚMULOS E SÁBIOS

              

 

Aprendi na escola, estudando história, que se sabe que uma civilização está acabando quando os alicerces dessa cultura começam a desaparecer. Depois, ainda jovem, descobri que você sabe que uma geração está passando quando os ídolos daquela época começam a morrer. Hoje, percebo que esta realidade é o presente da minha geração. No mesmo dia, nós, quarentões do tempo das discotecas, perdemos dois ícones da nossa adoração, Farrah Fawcett (Jill Munroe, do seriado As Panteras) e Michael Jackson (o Rei do Pop).

Todos temos direito a prantos e desesperos. Eu entendo. Se fosse a Madonna, eu estaria inconsolável. Mas as perdas são inevitáveis. O ser humano é mortal. Exceto pelo Elvis (que não morreu) todos os ídolos morrem. Afinal, são deuses em nossas mentes, mas são mortais como tudo nesse mundo. Apesar de Michael ser um ídolo das massas, eu, particularmente, senti muito mais a morte da pantera loira. Não perdia um episódio de Charlie’s Angels. Ela era a beleza feminina personificada. O desejo de toda mulher. E de todo homem, no mau sentido. Seus cabelos em camadas, repicados e longos, dignos de sua sensualidade loira, eram um sonho para quem, como eu, se imaginava no futuro próximo uma loira sensual. Realmente, Jacklyn Smith (Kelly Garret) era minha preferida, porém, sem dúvida, a mais famosa pantera foi Farrah Fawcett e seus olhos claríssimos, dentes alvos, magra e atraente. Casada com outro ícone e desejável, no mau sentido, pelas mulheres: Lee Major (o Homem de Seis Milhões de Dólares). Só quem viveu essa época dita “brega” sabe de verdade o que se perdeu com a morte de La Fawcett.

E Mister Jackson. O que dizer para os fãs órfãos de Michael? “Ele não morreu”? Sim, ele não vai morrer nunca na imaginação daqueles que ainda acreditam que Michael Jackson era um deus, ou melhor, um semideus. Mas disse bem, outro dia, um jornalista (com ou sem diploma?), colunista do site UOL: nós hipócritas não temos de prantear o ídolo a quem tanto ironizamos e criticamos com suas excentricidades, ou seria loucura mesmo? Como criticamos ao vê-lo cobrir a cabeça de seus filhos para andar em público, dormir dentro de uma câmera hiperbálica, virar branco, fazer operação plástica até perder sua identidade racial ou cair o nariz em um movimento mais rápido no palco em pleno show.

Sim, Michael não fazia coisas muito normais. Só que, pensando bem, nós, hipócritas, podemos sim lamentar a morte de um homem-menino, que fazia piruetas e deslizava pelo chão como se tivesse patins (alguém consegue fazer aquele passo?) Um talento prodígio que, sob o rebenque de um pai ambicioso, foi obrigado a deixar a infância para se tornar uma lenda. Quando se viu livre daquele regime opressivo e pôde “viver” sua vida sozinho, Michael se perdeu e, em sua obsessão por reaver o garoto que ficou esquecido em meio a fama, aos poucos o talento vigoroso foi definhando. Quanto mais desesperado ele ficava por repetir seus grandes sucessos Music and Me, I’ll Be There, e tantas dos Jacksons Five, até Thriller, ao meu ver o último GRANDE sucesso seu desgaste pessoal e ausência criativa mais apareciam. Perdeu a dignidade, a humanidade, a fortuna, mas não a imortalidade. Nem mesmo os escândalos de pedofilia fizeram seus fãs deixar de amá-lo. Mas na retrospectiva de grandes ídolos prodigiosos, veja, de Mozart a Michael, nenhum era normal. Mas Mister Jackson foi e sempre será o Rei do Pop.

Farrah e Michael. Deuses que descem aos túmulos, onde repousam as suas sabedorias. Eles são o começo do adeus a uma geração. A minha, a nossa. NEXT!

 

I AM SO SORRY

Desculpem, mas diante de tanta mediocridade que acontece neste País, não dá pra falar de sexo somente.

SÓ NESTE PAÍS MESMO

“Foi a maior gafe de Lula desde que caiu nos braços do povo, em 1° de janeiro de 2003. Mesmo quem não votou nele se emocionou quando um homem comum chegou à Presidência pelo voto democrático e limpo. Na semana passada, Lula disse que o senador José Sarney ‘não pode ser tratado como se fosse uma pessoa comum’. Lula foi sincero. Amaciado pelo poder, envaidecido pelas lisonjas e pela popularidade, ele acredita que uns são mais iguais que outros. E leva o pragmatismo político às últimas consequências”.

Ruth de Aquino, diretora da sucursal de Época, no Rio de Janeiro

 

Esse fato descrito acima bastaria para revoltar qualquer cidadão de um país sério. As falcatruas e enganos do Senado brasileiro, na pessoa do presidente do Senado e ex-presidente do Brasil José Sarney, levariam para a porta do próprio Senado centenas de pessoas em revolta moral e jurídica. Mas não neste País. Quem de vocês acreditaria que o sindicalista Luiz Ignoranácio da Silva defenderia publicamente um erro do senador que tantas vezes chamou de “grileiro, ladrão e picareta”? Só neste País. E nada nem ninguém vai punir nem sindicalista nem senador...

Quer mais uma barbárie? Seis de sete juízes decidiram eliminar a obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer o cargo em um veículo de mídia. Seis de sete. Se qualquer um pode escrever num jornal, falar na TV sem diploma, basta que assine o nome como fazem nossos vereadores, deputados, senadores e, agora também, presidente da República, por que ter juízes e advogados com diploma? É só decorar a lei, não é? E por que o engenheiro e o médico precisam de diploma? Se o primeiro souber calcular e desenhar casinhas e o segundo, em quantas partes se divide o corpo humano, também eles não precisam de diploma, não é verdade?

Afinal, neste País, quanto mais analfabeto se é, maior o cargo que se exerce. Quando os estrangeiros dizem que o Brasil não é um país sério, eu acredito piamente.

 

E diante disso, como posso reclamar do idiota que na sexta-feira, às 20h40, em frente à marquise do Parque Ibirapuera, bateu no meu carro, atrás na lateral direita e fugiu? Um Fiat (só podia) Siena, placa CCH0819. Eu fiz BO, cara!

Mas será que esse motorista “imprudente” será punido? Se um presidente do Senado pode seguir ileso, negar a própria responsabilidade nos crimes da instituição que comanda, um sindicalista em exercício do Poder Máximo apoiar esse homem incondicionalmente e seis...Seis (6) de sete (7) juízes extinguirem o diploma da única profissão que pode lhes apontar os defeitos, como esperar que a justiça seja feita?

Resta a nós, pessoas comuns, rezar. Apenas rezar para um ser verdadeiramente superior!

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